sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Comentário Do Arnaldo Jabor -Não haverá desfecho

Temos é de montar uma reforma séria, para mudar a "estrutura" do roubo publico. Isso é que interessa: acabar com as ocasiões que fazem os ladrões. Água demais mata a planta. Luz demais cega. As CPIs estão num estágio perigoso. Cada vez aumentam mais as denúncias, os sigilos quebrados, xingamentos de ladrões contra ladrões. E esse excesso de dados pode criar não uma pizza, mas um sarapatel de informações inúteis.
 
A pergunta que me fazem na rua é sempre: “e aí, meu irmão: como isso vai acabar?”. Mas não haverá fecho. O Estado não tem um aparelho punitivo geral que de conta de tudo. Ao contrario, o Judiciário vai anestesiar processos e punições. Haverá cassações, mas e daí?
Tudo é um rio sem foz, que não deságua, inunda no final. A própria desculpa geral de limitar tudo a caixa dois de campanhas nos leva a achar que bastaria uma reforma eleitoral, como esse monstrengo que o Senado criou.
 
Temos é de montar uma reforma séria, para mudar a "estrutura" do roubo publico. As CPIs são importantes não para "punir" apenas, para "acalmar" o povo. Há que reformar o "design" dessa roubalheira. Como tiraram essa grana das estatais, dos superfaturamentos , dos empresários sócios, dos fundos de pensão? Isso é que interessa. Acabar com as ocasiões que fazem os ladrões. O resto não é pizza mas pode virar uma geléia inútil.

Texto retirado da Coluna do Arnaldo Jabor